Suspensos para o jogaço de Munique, meia do Chelsea e volante do Bayern tiveram papéis fundamentais no sucesso de suas equipes
Contrariando todas as expectativas, Chelsea e Bayern de Munique farão a grande final da UEFA Champions League, no dia 12 de maio. Durante a caminhada que os levou até a partida da Allianz-Arena, tanto bávaros quanto londrinos devem muito aos brasileiros que foram fundamentais em suas campanhas: o meia Ramires e o volante Luiz Gustavo.Infelizmente, ambos estão suspensos e não poderão ajudar seus times a levarem o caneco, mas isso não diminui tudo o que fizeram durante a temporada.
O motor de Stamford Bridge
Se os Blues patinavam na Premier League, ao menos André Villas-Boas conseguia bons resultados no torneio continental. Quando recebia oportunidades, Ramires provava seu valor, com muita dedicação em campo e até alguns gols. Na fase de grupos, foram dois, contra o Genk (1 a 1, na Bélgica) e Valencia (3 a 0, em Londres). Vieram as oitavas-de-final, e um duro revés de 3 a 1 na partida de ida contra o Napoli: cai o treinador português, assume Roberto Di Matteo, de forma interina.
As coisas mudaram drasticamente no Chelsea, que passou a jogar com determinação e a apostar na força do conjunto. O resultado veio nos gramados: os Blues superaram o Napoli em casa (4 a 1). Naquela altura, o camisa 7 já era titular indiscutível na formação da equipe, caindo pelo lado direito do campo, resquício da era AVB em Londres.
Contra sua ex-equipe, o Benfica, também teve atuação destacada, como a participação no gol de Kalou, em Lisboa.
Mas era contra o Barcelona que ele viria a mostrar todo o seu valor: na partida de ida, além do vigor incansável na marcação, ficará marcado pelo lance do gol da vitória por 1 a 0. Partiu como uma flecha no lançamento de Lampard, dominou com categoria e deixou Drogba na cara de Valdés, e a história todos sabem muito bem.
No jogo de volta, Ramires voltaria a brilhar. O Chelsea perdia por 2 a 0 no final da primeira etapa e já atuava com um a menos, desde a expulsão de Terry. Do campo de defesa, ele tocou novamente com o camisa 8 e disparou. Sete segundos depois, encobria Valdés e marcava um lindo gol. Correu tanto no Camp Nou que até recebeu um cartão amarelo, que o deixa de fora da grande decisão.
Sem o camisa 7 (e Raul Meireles, também suspenso), é bem possível que Di Matteo precise alterar toda a estrutura do meio-de-campo, já que não tem um jogador capaz de executar aquilo que o brasileiro vinha fazendo. É possível que Essien retorne ao time, mas jogando de maneira mais centralizada. Em contrapartida, mais um atacante (Kalou ou Sturridge) entraria para ocupar o flanco direito, mas tendo também a obrigação de acompanhar as subidas de Lahm.
| Ramires - As avaliações de Goal.com | |||
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Adversário | Nota |
Avaliação |
| Napoli (1x3) | 5.5 | "Algumas subidas perigosas, mas teve problemas defensivos na maior parte do tempo." | |
| Napoli (4x1) | 7.5 | "Mostrou grande poder de recuperação ao fazer importante desarme em Lavezzi, e logo deixou Drogba em condições de abrir o marcador. Manteve o bom desempenho até o último minuto." | |
| Benfica (1x0) | 8.0 | "Muito dinamismo e energia pelo flanco direito, mostrou a seu antigo clube o que perderam. Levou problemas à defesa com sua velocidade, e ajudou a parar Gaitán na segunda etapa" | |
| Benfica (2x1) | 6.0 | "Uma fonte interminável de energia no flanco direito, mas perdeu um dos gols mais inacreditáveis do ano." | |
| Barcelona(1x0) | 7.0 | "Levou perigo e deixou Drogba em condições para marcar com um cruzamento inteligente. Incansável, mostrou ter muito fôlego." | |
| Barcelona(2x2) | 7.0 | "Foi seu inesperado gol que deu esperança ao Chelsea, num momento em que o Barça dominava. Correu muito e foi bem defensivamente." | |
O 'carregador de piano' de Munique
Ninguém pode negar que o conjunto bávaro, do meio para a frente, está entre os melhores do mundo. Mas, para que Schweinsteiger, Ribery, Kroos, Muller e Gomez possam brilhar, é preciso que alguém faça o 'serviço sujo', resguardando a defesa tão exposta do Bayern. É aí que entra o brasuca Luiz Gustavo, que justificou sua contratação e titularidade com uma série de sólidas atuações defensivas.
Na fase de grupos, contra Manchester City, Villarreal e Napoli, o mais difícil da atual edição Champions, o volante já mostrava sua eficiência, com boas atuações nas vitórias em casa sobre os ingleses (2 a 0) e italianos (3 a 2). Ainda assim, o camisa 30 dava lugar ao ucraniano Tymoshchuk em alguns jogos. Não é preciso dizer que o veterano não conseguiu repetir o ritmo que o brasileiro conseguia dar ao time vermelho.
A derrota por 1 a 0 para o Basel, na partida de ida das oitavas-de-final, rendeu ao técnico Jupp Heynckes uma importante lição: não poderia mais desprezar os adversários, e deveria mandar a campo sempre o que tinha de melhor. No jogo seguinte, Luiz Gustavo voltou ao time titular, de onde nunca mais saiu.
Teve atuações razoáveis contra o Olympique de Marselha e, a exemplo de Ramires, cresceu no momento de decisão. Teve por missão vigiar o perigoso trio galático Ronaldo/Ozil/Di Maria, entregando a bola aos colegas mais qualificados para o trabalho de ataque. Resultado: 2 a 1 em Munique e, mesmo com o placar devolvido em Madrid, o Bayern ficaria com a vaga na final.
Nada mal para um 'cão de guarda', cuja convocação à Seleção brasileira foi vista com desconfiança por muitos.
| Luiz Gustavo - As avaliações de Goal.com | |||
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Adversário | Nota |
Avaliação |
| Basel (0x1) | N/A | Ficou no banco de reservas e não atuou |
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| Basel (7x0) | 6.0 | "Deixou alguns espaços entre o meio e a defesa nos momentos iniciais, mas isso rapidamente mudou. Não cometeu erros, mas também não brilhou tanto quanto seus companheiros" | |
| Olympique (2x0) | 6.5 | "Em certo momento da partida, auxiliou bem na transição dos bávaros. Fez as interceptações necessárias na defesa" | |
| Olympique (2x0) | 6.0 | "Teve a função de segurar as pontas no meio e não conseguiu impedir alguns chutes de longa distância nos minutos iniciais. Cresceu durante a partida" | |
| R. Madrid (2x1) | 6.5 | "Justificou sua titularidade com muita disposição. Não esteve bem com a bola no pé, mas fez um bom trabalho defensivo" | |
| R. Madrid (1x2) | 6.5 | "O ‘destruidor’ do meio de campo do Bayern. Cometeu deslizes na marcação sobre Ozil e fez algumas faltas perigosas" | |
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