Fábio Santos falou com exclusividade ao Goal.com sobre a expectativa para a partida contra o Emelec e o sonho de entrar para a história do Corinthians
POR FERNANDO H. AHUVIA - DIRETO DE SÃO PAULO
Dono absoluto da lateral-esquerda do Corinthians e peça importante no esquema tático do técnico Tite, Fábio Santos vive o melhor momento da sua carreira aos 26 anos. Formado nas categorias de base do São Paulo, o jogador já atuou no Kashima Antlers-JAP, Cruzeiro, Monaco-FRA e Santos, mas só conseguiu superar os problemas físicos e as atuações irregulares no Grêmio. Em 2011, decidiu trocar os dois anos de titular no clube gaúcho para ser reserva de Roberto Carlos no Corinthians.
Com a saída do pentacampeão para o Anzhi-RUS, Fábio Santos conseguiu se firmar no Corinthians graças as boas atuações no Paulistão e na conquista do Brasileirão. Em entrevista exclusiva ao Goal.com, o lateral falou sobre sua chegada ao clube, a marcante atuação no clássico contra o São Paulo, a partida contra o Emelec pela Libertadores, o sonho de entrar para a história do Timão e até sobre uma possível chance na Seleção Brasileira.

Goal.com - Como foi a decisão de trocar os dois anos de titular do Grêmio para ser reserva de Roberto Carlos no Corinthians?
Meu contrato de dois anos com o Grêmio se encerrava no fim da temporada. A reta final de ano no clube havia sido muito boa. Conseguimos uma arrancada incrível no segundo turno do Campeonato Brasileiro e terminamos a competição em quarto lugar. Acabei me valorizando bastante e passei a conversar com o Grêmio sobre uma possível renovação. O Corinthians também estava interessado, mas a prioridade era permanecer em Porto Alegre, já que era titular e estava ambientado com a cidade e com o clube. No Corinthians também tinha o aspecto de ser reserva do Roberto Carlos. No fim eu acabei não me acertando com o Grêmio e apareceu a chance de me transferir para o Corinthians. Aconteceu tudo muito rápido, mas acabou sendo a melhor escolha.
Goal.com - No jogo contra o Tolima pela fase prévia da Copa Libertadores, o Roberto Carlos teve problemas musculares e você assumiu a vaga. No entanto, o Corinthians acabou sendo eliminado. Como foi aquele momento? O que passou pela sua cabeça?
Foi bem complicado. Eu não esperava jogar, já que nem havia participado da pré-temporada. Tinha feito minha estreia contra o São Bernardo e três dias depois fui pego de surpresa quando entrei naquele jogo. O Roberto Carlos havia viajado para a Colômbia para jogar. Infelizmente fomos desclassificados, mas por um lado é o que tinha que acontecer para mim. Se ele tivesse entrado em campo, talvez eu não me firmasse no time ano passado. A princípio foi difícil passar por aquele momento de desconfiança, mas logo em seguida vencemos o clássico contra o Palmeiras e depois ainda tive a oportunidade de marcar dois gols contra o Santos.
Goal.com - Com a saída do Roberto Carlos para o Anzhi, você assumiu a posição, principalmente por suas atuações no Campeonato Paulista. O que foi preciso para que isso acontecesse?
Precisava readquirir a confiança que tive no Grêmio. Começo de temporada é complicado e logo no início já estávamos sofrendo uma pressão daquele tamanho. O grupo se fechou depois da eliminação e a vitória no clássico contra o Palmeiras foi muito importante. O Tite começou a reestruturar a equipe e foi importante ele dar sequencia para quem estava jogando. Procurei melhorar a parte física e depois as coisas fluíram naturalmente.
| "Profissionalmente e pessoalmente, 2011 foi um ano muito especial para mim. Sem dúvidas vai ficar marcado como um ano muito positivo na minha carreira". |
Goal.com - Um fato marcante foi a sua atuação no clássico com o São Paulo no Campeonato Brasileiro. O time passava por um momento difícil e você estava há mais de um mês sem jogar, devido a uma fratura na clavícula. Mesmo assim você foi para concentração e ainda entrou em campo quando o Leandro Castán se machucou. Como foi aquele momento?
Foi bem curioso. Quando eu me machuquei contra o Santos, já estava esperando a previsão do médico para olhar a tabela e ver quantos jogos ficaria fora. Deram a previsão de 60 dias e eu não me conformava com isso. Falei para o Bruno Mazziotti (fisioterapeuta do Corinthians) que queria voltar contra o São Paulo em 40 dias. O jogo aconteceria numa quarta-feira. Na sexta-feira, fiz um exame e a lesão ainda não estava consolidada. Na véspera do jogo, o Bruno me ligou perguntando se daria para jogar. Achei estranho, mas ele disse que estava pensando em sugerir isso para comissão técnica. A noite o Edu (gerente de futebol) me ligou e eu fui correndo me concentrar. No dia do jogo, fiz outro exame com o Joaquim Grava e a lesão estava consolidada. Fui para o jogo e com 20 minutos do primeiro tempo o Castán sentiu uma lesão e eu entrei em campo. Graças a Deus as coisas deram certo, conquistamos um empate importantíssimo e o time retomou a campanha vitoriosa do início do Brasileirão para conquistar o título.
Goal.com - Ano passado você conquistou o Campeonato Brasileiro, renovou contrato com o Corinthians até 2014 e ainda teve o nascimento do seu segundo filho. Foi o melhor ano da sua carreira e até da sua vida?
Acredito que sim. A conquista do Campeonato Brasileiro como titular e a repercussão que você tem conquistando esse título pelo Corinthians é muito grande. Nascimento do meu filho na fase final da competição. Profissionalmente e pessoalmente, 2011 foi um ano muito especial para mim. Sem dúvidas vai ficar marcado como um ano muito positivo na minha carreira.
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Também sentimos essa ansiedade do torcedor em jogos de Libertadores. O clima no estádio fica mais tenso, mas pode contar com a nossa dedicação e empenho que queremos esse título igual ou até mais que eles. |
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Goal.com - Falando agora de Libertadores. Como está a expectativa para o jogo de quarta-feira? O que precisa ser feito de diferente com relação ao jogo do Equador?
Sabemos que não jogamos bem no Equador, mas jogar fora de casa na Libertadores é sempre muito complicado. Jogamos de maneira inteligente em Guayaquil, mas infelizmente perdemos o Jorge Henrique no início do segundo tempo. Na quarta-feira temos totais condições de fazer um grande jogo. Precisamos marcar em cima o tempo todo para conseguir o gol o quanto antes e não ter aquela aflição durante a partida.
Goal.com - Em Guayaquil, você jogou bem recuado para marcar o Valencia. No Pacaembu o Tite vai te dar mais liberdade para apoiar o ataque?
Acredito que seja natural. A equipe deles deve vir mais retraída e temos que tomar a iniciativa de ir pra cima. No primeiro jogo eu fiquei mais resguardado, porque a comissão técnica já havia passado para gente que o lado direito deles era o mais forte, principalmente com o Valencia. Graças a Deus consegui marcar bem e no Pacaembu eu vou ter mais oportunidades para apoiar o ataque.
Goal.com - O grupo se sente pressionado para trazer esse título inédito e tão almejado?
Pressão todo mundo sente. É importante saber dessa responsabilidade. Temos consciência do tamanho do Corinthians e sabemos que se ganharmos a Libertadores entraremos para a história do clube. Agora, precisamos manter a tranquilidade, porque essa pressão pode atrapalhar. A equipe está muito forte e com certeza é uma das candidatas ao título.
Goal.com - O que o torcedor pode esperar da equipe diante do Emelec?
Também sentimos essa ansiedade do torcedor em jogos de Libertadores. O clima no estádio fica mais tenso, mas pode contar com a nossa dedicação e empenho que queremos esse título igual ou até mais que eles. Queremos muito entrar para história do Corinthians, mas temos consciência que é um jogo difícil. Vamos fazer de tudo para vencer e dar essa alegria para o torcedor.
Goal.com - Caso o Corinthians avance, quem você prefere enfrentar nas quartas de final: Vasco ou Lanús?
É difícil escolher adversário. Eu particularmente gostaria de adiar o confronto com times brasileiros, que são todas equipes de qualidade e que conhecem o nosso trabalho. Claro que jogar fora de casa com o Lánus é complicado, mas também temos a força da nossa torcida no Pacaembu.
Goal.com - Em alta no Corinthians, você sonha com uma convocação para a Seleção Brasileira?
Jogando em uma equipe como o Corinthians sempre vai se cogitar essa hipótese. Eu tenho que sonhar com esse objetivo. Na minha posição, o Marcelo está muito bem. No meu modo de ver, a outra vaga está aberta. Tenho que manter o que venho fazendo no Corinthians que essa chance pode aparecer.